O patriotismo do brasileiro
Estive pensando sobre o patriotismo que o brasileiro mostra em época de
Copa do Mundo. Isso porque isso, de certa forma, me causa espanto ao
ver o brasileiro utilizando símbolos nacionais e chorando ao ver a
seleção jogar. Fiquei imaginando porque esse sentimento de amor não é
mostrado em outras épocas que seriam até mais importante ao Brasil como
pátria. Como acho que situações
complexas têm causas complexas, não me arrisco a dar uma resposta para a
questão, mas parece que a Copa do Mundo é uma das únicas ocasiões em
que o cidadão sabe ser patriota. Penso que o patriotismo é um conceito
que necessita ser aprendido e compartilhado por todos para que se
concretize em ações. Mas como ser patriota se sequer esta palavra é
falada no Brasil? O significado vem se perdendo há tempos. O que
significa patriotismo? Fui buscar no dicionário: Amor à pátria, devoção
ao seu solo e às suas tradições, à sua defesa e integridade (Minhaelis).
Parece que temos uma primeira parte muito importante do conceito: amor.
Com certeza amamos o Brasil. No entanto, não sabemos expressar tal amor
de maneira convincente. O conceito parece pedir ações que concretizem
esse amor: respeito às tradições, respeito ao solo, e defesa da
integridade do país.
Nós respeitamos as nossas tradições? Difícil
responder porque temos muitas, mas pelo menos a tradição de receber bem
os gringos parece que sim. Nós nos orgulhamos de nossa alegria e
hospitalidade. Vou recorrer novamente à Copa do Mundo porque vi muitas
reportagens mostrando os gringos encantados com essas características do
brasileiro e nós adoramos saber que somos melhores do que os outros
nestes itens.
No entanto, nos outros quesitos do patriotismo nós
falhamos. Porque então, não somos completamente patriotas? Pensei em
algumas coisas que podem estar relacionadas a isso. Em primeiro lugar,
nós temos um serviço militar obrigatório. Então, não há necessidade de
conscientizar ninguém para a importância da defesa da pátria. Os jovens
devem fazer ou serão penalizados com aquilo que é entendido por muitos
como “serviços forçados” por um ano. Além disso, nós temos o voto
obrigatório. Não há necessidade de conscientização para a importância
do voto para os rumos da nação, de explicar que votar é passar
procuração para alguns governarem o país e como todo bom cedente de
direitos deve zelar para tais direitos estejam sendo respeitados. Já
houve uma época em que o patriotismo era obrigatório também. Sou da
época em que éramos obrigados a saber o hino nacional, fazer reverências
à bandeira e participar de solenidades também obrigatórias. Nada disso
por considerar importante conhecer a nação em que vivemos – mas para
obedecer a regras impostas por um regime militar em que não tínhamos
liberdade de escolha, liberdade para pensar -. Quando os anos de chumbo
passaram tudo isso ficou para trás. Agora não temos nada, parece que a
água da banheira foi jogada fora e a criança foi junto.
Enfim, acho
que a falta de liberdade com responsabilidade esteja ligada a esta
forma de demonstrar patriotismo do brasileiro. Sempre há alguém para
“pensar” por nós, para nos obrigar a fazer algo que deveríamos fazer por
vontade própria. Não temos aproveitado as oportunidades de discutir, de
construir o significado de nação, de pátria, de amor à pátria, então,
fazemos o que sabemos fazer que é torcer pela seleção.
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