sexta-feira, 11 de julho de 2014

O patriotismo do brasileiro

O patriotismo do brasileiro
Estive pensando sobre o patriotismo que o brasileiro mostra em época de Copa do Mundo. Isso porque isso, de certa forma, me causa espanto ao ver o brasileiro utilizando símbolos nacionais e chorando ao ver a seleção jogar. Fiquei imaginando porque esse sentimento de amor não é mostrado em outras épocas que seriam até mais importante ao Brasil como pátria. Como acho que situações complexas têm causas complexas, não me arrisco a dar uma resposta para a questão, mas parece que a Copa do Mundo é uma das únicas ocasiões em que o cidadão sabe ser patriota. Penso que o patriotismo é um conceito que necessita ser aprendido e compartilhado por todos para que se concretize em ações. Mas como ser patriota se sequer esta palavra é falada no Brasil? O significado vem se perdendo há tempos. O que significa patriotismo? Fui buscar no dicionário: Amor à pátria, devoção ao seu solo e às suas tradições, à sua defesa e integridade (Minhaelis).
Parece que temos uma primeira parte muito importante do conceito: amor. Com certeza amamos o Brasil. No entanto, não sabemos expressar tal amor de maneira convincente. O conceito parece pedir ações que concretizem esse amor: respeito às tradições, respeito ao solo, e defesa da integridade do país.
Nós respeitamos as nossas tradições? Difícil responder porque temos muitas, mas pelo menos a tradição de receber bem os gringos parece que sim. Nós nos orgulhamos de nossa alegria e hospitalidade. Vou recorrer novamente à Copa do Mundo porque vi muitas reportagens mostrando os gringos encantados com essas características do brasileiro e nós adoramos saber que somos melhores do que os outros nestes itens.
No entanto, nos outros quesitos do patriotismo nós falhamos. Porque então, não somos completamente patriotas? Pensei em algumas coisas que podem estar relacionadas a isso. Em primeiro lugar, nós temos um serviço militar obrigatório. Então, não há necessidade de conscientizar ninguém para a importância da defesa da pátria. Os jovens devem fazer ou serão penalizados com aquilo que é entendido por muitos como “serviços forçados” por um ano. Além disso, nós temos o voto obrigatório. Não há necessidade de conscientização para a importância do voto para os rumos da nação, de explicar que votar é passar procuração para alguns governarem o país e como todo bom cedente de direitos deve zelar para tais direitos estejam sendo respeitados. Já houve uma época em que o patriotismo era obrigatório também. Sou da época em que éramos obrigados a saber o hino nacional, fazer reverências à bandeira e participar de solenidades também obrigatórias. Nada disso por considerar importante conhecer a nação em que vivemos – mas para obedecer a regras impostas por um regime militar em que não tínhamos liberdade de escolha, liberdade para pensar -. Quando os anos de chumbo passaram tudo isso ficou para trás. Agora não temos nada, parece que a água da banheira foi jogada fora e a criança foi junto.
Enfim, acho que a falta de liberdade com responsabilidade esteja ligada a esta forma de demonstrar patriotismo do brasileiro. Sempre há alguém para “pensar” por nós, para nos obrigar a fazer algo que deveríamos fazer por vontade própria. Não temos aproveitado as oportunidades de discutir, de construir o significado de nação, de pátria, de amor à pátria, então, fazemos o que sabemos fazer que é torcer pela seleção.

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